domingo, 29 de abril de 2012

A importância do pai na vida do filho




De forma lenta e gradativa, alguns segmentos culturais vêm destruindo o papel que a família representa na sociedade.  Essa mesma pseudo cultura está cada vez mais enfatizando o individualismo, o egocentrismo e fazendo com que o ser humano se distancie de um relacionamento saudável e enriquecedor que só o ambiente familiar proporciona.
Esse conceito de pensar em si e não nos outros, fez com que a família perdesse o valor.
Não existe mais respeito aos pais, amor pelos pais e obediência aos pais.
Atualmente até a figura materna que anteriormente era muito valorizada, deixou de ser respeitada. Hoje os filhos tratam a mãe com menos reverência, com menos afeto e menos amor.
A figura paterna sempre foi mal divulgada, mal compreendida, pois no passado o pai representava o “provedor-ausente”, onde a família tinha o que comer, mas não tinha o convívio, o afeto e o carinho do pai.
Com o passar dos tempos, os meios de comunicação começaram a desvalorizar não somente a figura do pai, mas a imagem do homem.
É só você assistir um filme ou uma propaganda comercial e verificar como a figura paterna é ridicularizada, e como o homem é desvalorizado. Tudo o que venha a representar a imagem do pai, ou a imagem do homem, é projetado de modo pejorativo.
No entanto é importante ressaltar que nem o homem e nem a mulher é superior um ao outro. Cada um desempenha um papel diferente e importante na família e na sociedade. Para que haja uma família estruturada é necessário haver o homem e a mulher, cada um desempenhando o seu papel, de pai e de mãe.
O sociólogo David Popenoe em seu livro: “Life Without Father”, comenta que, “enquanto a mãe proporciona uma importante flexibilidade e harmonia na disciplina  dos filhos, o pai proporciona o desenvolvimento e a solidez da personalidade”.
O Dr. David Blankenhom, autor do livro: “Fatherless America: confronting our most urgent social problem”, afirma que “a mãe cuida mais das necessidades físicas e emocionais dos filhos, e o pai volta-se mais para as características da personalidade, necessárias para o futuro, especialmente qualidades como a independência e a capacidade de testar e assumir riscos”.
Como ficou constatado nos dois depoimentos, tanto o pai como a mãe são elementos primordiais na educação e equilíbrio da vida dos filhos, ambos atuando na formação do ser humano.
O relacionamento pai-filho é o relacionamento mais complexo na vida de um homem. A conexão resultante desse relacionamento é o que molda a vida do filho. Se não houver conexão, o filho ferido carrega essa marca por toda a vida. Todos os homens têm essa necessidade de ter um relacionamento profundo com seu pai. O relacionamento pai-filho afeta todos os outros relacionamentos na vida do homem, inclusive as opções de vida que ele faz.
Segundo o psicólogo Charles Williams, existem cinco estágios no relacionamento pai-filho:
1)  Ideal  -  a criança idealiza o pai, achando que ele é capaz de fazer qualquer coisa. Nessa fase o filho imita o pai: caminha como ele; fala como ele e coloca suas roupas e sapatos. Nessa fase a criança quer agradar o pai, ser aceita e receber sua aprovação.
2)  Discórdia  -  na adolescência começa o período da discórdia, gerando conflitos entre pai e filho. Geralmente os adolescentes rejeitam as ideias, valores e direção dos pais e passam a buscar sua própria independência.
3)  Evolução  -  na fase jovem-adulto, o filho geralmente está emocionalmente distante do pai e muitas vezes ignora sua presença. Na tentativa de ser diferente do pai, e de buscar sua própria identidade, a discórdia entre eles aumenta e o relacionamento parece mais como uma competição entre ambos.
4)  Aceitação  -  entre os 30-40 anos, o filho começa a aceitar o pai como ele realmente é; a enxergar e admirar suas qualidades. Tanto o pai como o filho começam a aceitar as diferenças um do outro e o jeito de ser de cada um. Nessa fase começa a haver um melhor relacionamento entre eles, e na conversa eles expressam suas próprias opiniões, sem entrarem em choque um com o outro.
5)  Patrimônio  -  nessa fase adulta, o filho aos 50 anos de idade, começa a trocar as lembranças difíceis do relacionamento por uma admiração e respeito pela difícil tarefa de ser pai. Muitos filhos nessa fase adulta se tornam semelhantes aos seus pais, seja no bom ou no mal comportamento. Muitos filhos adultos que não conseguiram resolver seus problemas com seus pais, porque eles são idosos ou porque eles faleceram, vêem a repetição dos mesmos erros no relacionamento com seus próprios filhos.
Charles Colson, que lidera o maior trabalho evangelístico nas prisões americanas, afirma: “através do meu ministério, eu tenho visto o terrível preço que a América paga, pela ausência da figura paterna na vida dos filhos. Rapazes que cresceram sem pai, tem duas vezes mais probabilidade de serem presos. 60% dos estupradores, e 72% dos adolescentes que cometem assassinatos, nunca conheceram, ou nunca viveram com seus pais. E esse tipo de problema não se refere a uma só classe social, raça ou sexo. Até a garota branca, da alta sociedade, criada sem pai, tem cinco vezes mais possibilidade de engravidar na adolescência”.
A ausência do relacionamento paterno, seja por divórcio, separação, excesso de trabalho, descaso, etc, afeta drásticamente a vida dos filhos. As estatísticas mostram que o número de jovens que cometem delitos é maior entre os que foram criados longe do pai.
Os problemas que eles apresentam são:
1)  sentimento de rejeição,
2)  indisciplina,
3)  abandonam os estudos,
4)  sofrem mais abuso infantil,
5)  gravidez precoce,
6)  envolvimento com drogas,
7)  prostituição,
8)  problemas com as autoridades,
9)  participação em gangues de rua,
10) violência,
11) cometem crimes,
12) homossexualismo,
13) suicídios,
14) marginalização,
15) emprego precário,
16) pobreza,
17) recorrem mais ao seguro desemprego.
De acordo com a estatística mencionada, fica evidente a importância do pai na vida dos filhos, pois ele é a figura que representa a lei e impõe respeito. A atenção que o pai dedica ao filho, desenvolve nele a autoestima e o amor próprio.
Cabe aos pais educarem seus filhos, pois a educação é a condição básica para o convívio social.
O papel do pai na educação do filho é:
1)  estabelecer limites,
2)  colocar e fazer cumprir as regras,
2)  dar e fazer cumprir as ordens,
3)  proibir exageros,
4)  ensinar a criança a controlar sua própria impulsividade,
5)  disciplinar.
O papel dos pais no relacionamento com seus filhos é amar, apoiar, compreender e dialogar.
O relacionamento pai-filho deve ser iniciado quando a criança ainda é pequena. O pai deverá ser gentil e brincar com o bebê, e na medida que os filhos forem crescendo procurar conversar com eles, ouvir o que eles têm a dizer, sair juntos, ter uma convivência diária e participação em tarefas conjuntas.
Na adolescência, os filhos precisam saber que o pai está do lado deles e que está aberto para aceitá-los nesse período de mudanças físicas, comportamentais e emocionais.
Se o seu filho precisa ser consolado, não diga: “que ele é homem, e que homem não chora”; console ele, abrace ele e diga que voce está do seu lado.
Quando seu filho estiver mais maduro, ensine a ele como ser adulto, como ser homem, como ser pai, como se trata uma mulher, como ter os cuidados consigo próprio e como ele deverá cuidar da família que ele terá no futuro.
Fale de você mesmo, do seu sucesso, do seu fracasso. Deixe ele ver que você se levantou, após a queda. Diga a ele, no momento certo: “eu estou orgulhoso de você”.
Acima de tudo seja um pai que ensina pelos seus próprios exemplos. Lembre-se de que o filho estuda o pai e o observa em todos os detalhes.
Se voce é um adulto e está cheio de ressentimentos pelo seu pai:
1)  Perdoe  -  esse é o primeiro passo para curar sua emoção e fazer com que você prossiga com a sua vida;
2)  Mude  -  mude sua atitude. Perdoe e coloque sua energia em novos alvos;
3)  Fale sobre seus sentimentos -  com uma pessoa em quem você confie (Deus, esposa, amigo, …);
4)  Abaixe suas expectativas  -  lembre-se que seu pai é homem, é humano, e não o “super man”;
5)  Estabeleça limites  -  assuma responsabilidade por suas ações e não culpe seu pai pelas escolhas que você fez;
6)  Esteja aberto para a cura  -  quando você perdoar e ficar livre das mágoas e ressentimentos, esteja aberto para a paz que advirá dessa experiência e tenha uma nova atitude;
7)  Encontre o amor perdido  -  fique livre das dolorosas memórias (ausência do pai, abandono pelo pai, não se sentir amado pelo pai, brigas com ele, surras dele, etc..) e procure amar o seu pai como ele é;
8)  Veja o lado bom  -  mude sua visão à respeito do seu pai. Veja o que há de bom nele, e os pontos positivos no seu relacionamento com ele.  Se você não vê nada de bom no seu pai, ou no seu relacionamento com ele, mesmo assim, o perdoe;
9)  Mudança física  -  quando você verdadeiramente perdoar o seu pai, você experimentará mudanças físicas e emocionais. Esteja preparado para essas mudanças e permita que elas se integrem na sua vida.
Nossos pais muitas vezes não correspondem, ou não corresponderam aos nossos desejos interiores e as nossas carências afetivas. Muitos filhos talvez nunca receberam de seus pais uma palavra de amor ou um gesto de afeto.
Segundo o pastor Francisco Nascimento, “a realidade de um pai terreno, muitas vezes insensível, violento, egocêntrico, exigente, que não dá o valor que merecemos, nos dificulta conhecer, compreender e confiar em Deus, que é um Deus amoroso, misericordioso, valorizador e perdoador”.
Deus como um pai amoroso, nos ama sem nenhum interesse. Não importa quem somos, o que temos, ou o que fazemos, Ele nos ama incondicionalmente.
Deus como um pai misericordioso, conhece nossas fraquezas, conhece nossos pecados e Ele sente compaixão pelos nossos pecados e fraquezas.
O maior exemplo de amor que Deus nos deu, foi enviar seu único filho, Jesus Cristo, para nos resgatar da morte eterna.
É muito importante que cada um de nós reconheçamos nossos pecados, e que possamos pedir a Deus, através de Jesus Cristo, o perdão pelos nossos erros. Só assim nós conseguiremos perdoar os nossos pais, e todas as pessoas que nos feriram durante nossa jornada de vida. Quando nos tornamos filhos de Deus e colocamos nossa confiança em Jesus Cristo como Senhor, os nossos pecados serão perdoados e esquecidos, e nosso espírito regenerado.
Através da fé em Jesus Cristo, nós podemos chamar Deus de “ABBA”, palavra em hebraico, que significa “paizinho”.
O homem tem muito valor, pois ele foi o único ser, criado a imagem e semelhança de Deus.
Reconcilie-se com o Senhor, porque você tem um pai sim, um pai digno de ser imitado, que não o abandona, que está sempre do seu lado, que o ouve em qualquer circunstância, que o livra do perigo,  que o proteje e que o ama.


Por HELOISA GUIMARÃES, psicóloga formada pela Universidade Metodista, com Master Degree em Christian Clinical Psychology, pela Florida Christian University.

Fonte:http://linhaaberta.com/magazine/2011/07/a-importancia-do-pai-na-vida-do-filho/

Estimule o seu filho a aprender!


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Letra ilegível

Uma realidade nas escolas: Eu não sei escrever em letra cursiva

Pouco estimuladas nos colégios e atraídas pelo computador, cada vez mais crianças têm dificuldades na escrita corrida

Por Carina Rabelo

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A letra ilegível era uma marca registrada dos médicos e suas receitas indecifráveis. Hoje, rompeu as fronteiras da profissão e se tornou quase uma tendência na sociedade da pressa. A ilegibilidade é uma das consequências da substituição do caderno pelo computador e da pouca ênfase que se dá ao ensino da letra cursiva nas escolas. Em outros tempos, os cadernos de caligrafia moldavam a escrita dos alunos. Até hoje, representam um importante rito de passagem para crianças recém-alfabetizadas que conseguem ultrapassar a barreira da letra de forma e se capacitam na cursiva - aos 6 anos, elas já se dividem em grupos dos que dominam o mundo da "letra corrida" e daqueles que ainda continuam nas "letras separadas". Mas o entusiasmo é arrefecido com o passar dos anos. Elas precisam fazer pouco uso da técnica, pois até as provas são de múltipla escolha - basta marcar um X nas alternativas propostas e ir para casa sem gastar a caneta. Fora de uso, a letra perdeu a uniformidade e a nova grafia mescla traços cursivos com letras maiúsculas, comprometendo até mesmo os sinais de acentuação, como o til (~), que virou um traço (-). Nem sempre a legibilidade é mantida. E dá-lhe garranchos incompreensíveis.
O impacto da disgrafia - a escrita incompreensível - na vida das pessoas vai além do senso estético. Quem sofre deste distúrbio pode ser tachado de desleixado ou problemático. E não ser compreendido na sociedade da informação é um fardo que poucos podem carregar. A solução? Recorrer aos textos digitais do e-mail e mensagens instantâneas, como MSN e SMS. "A tecnologia pode ser a aliada e a vilã da história", afirma Marco Arruda, neurologista da infância e da adolescência e diretor do Instituto Glia de Cognição e Desenvolvimento. O excesso de informação, a falta de tempo e o conforto da internet contribuem para a deformidade da letra, que se torna dispensável e, quando utilizada, apressada e incompreensível. "Escrevo muito rápido. Não dá tempo de enfeitar", afirma Lucas Dias Oliveira, 12 anos, que foi reprovado no ano passado porque os professores não conseguiram corrigir a sua prova. "Não entendi nada", assinou a professora na avaliação. "Ele é extremamente inteligente e rápido.
Tem uma velocidade incrível no teclado", afirma a sua avó, Marialva Dias.


"Mas a letra é um garrancho." Os esforços de Marialva, que comprou dezenas de cadernos de caligrafia e livros para o neto, não foram suficientes para que o menino deixasse o computador e melhorasse a grafia. "Ele é agoniado, ansioso e necessita de acompanhamento psicológico para melhorar a letra", afirma.
Janice Cabral Falcão, psicóloga e presidente da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, acredita que os cadernos de caligrafia não resolvem o problema. Para ela, a falta de espaço para brincar e a vida sedentária comprometem o tônus muscular das crianças, que ficam sem coordenação motora e destreza para lidar com o lápis.
"Elas precisam participar das atividades domésticas que exijam alguma habilidade manual", afirma. Para o neurologista Marco Arruda, a escrita está mais relacionada com as funções do cérebro do que com a tonicidade dos músculos e ele alerta que a escrita ilegível pode ser um sinal de enfermidade ou transtorno psicológico, como dislexia, déficit de atenção e hiperatividade.
"É preciso treinamento da letra com sessões de reabilitação", afirma. O neurologista lembra que brincadeiras fora de moda com bolas de gude e palitinhos, além das aulas de caligrafia, favoreciam o desenvolvimento psicomotor da criança, que não tem os mesmos estímulos nos jogos eletrônicos de hoje.
Não são apenas as crianças as vítimas da disgrafia. A pesquisadora Luciana Moherdaui, 38 anos, especialista em novas mídias e interfaces digitais, trocou os cadernos pelo computador desde que saiu da faculdade. "A minha letra era legível, mas, depois que passei a usar diariamente a rede, perdi a capacidade de escrever", afirma Luciana, que explica ter o raciocínio igual ao Word - 'escreve, erra, apaga e refaz' - impossível no texto à mão. Quando vai a uma palestra em que não pode levar o seu laptop, a pesquisadora também não leva o bloco de anotações. "Decoro tudo", diz. "Não entendo a minha letra." Como especialista no tema, Luciana acredita que o futuro do aprendizado caminha em direção às novas tecnologias. "A tendência é que os meninos troquem os cadernos pelos mininotebooks." Apesar da alternativa da tecnologia, ter letra legível (e bonita) ainda é importante. "Já zerei provas no vestibular porque estavam incompreensíveis", afirma José Ruy Lozano, corretor de redações dos principais processos seletivos de São Paulo e professor de redação do ensino médio do Colégio Santo Américo. Vale lembrar que as redações de vestibular também podem ser escritas em letras de forma. Mas a cursiva ainda conta pontos, por exemplo, em processos de seleção de emprego.

O ato de escrever teve os seus altos e baixos na história. Sócrates e Platão (séc. V a.C.) eram contra a escrita e defendiam a oralidade. Na Idade Média, ela ganhou visibilidade e subiu ao altar com os monges copistas, que registravam a cultura e as descobertas históricas em pergaminhos, para imortalizá-las ao longo dos séculos.
"Ela passou a ser a escrita própria dos textos cristãos, em oposição aos caracteres romanos dos textos pagãos", afirma o grafólogo Paulo Sérgio de Camargo, autor do livro "Sua Escrita, Sua Personalidade" (Editora Ágora).

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A caligrafia - palavra que tem origem no nome kallos (belo) e grafos (grafia) - surgiu como arte quando o imperador Carlos Magno (742-814) decidiu unificar os textos e documentos da Europa Central com a escrita cursiva, conhecida como 'letra carolina', mais rápida que a tipografada. Segundo os grafólogos, a cursiva é um sinônimo de elegância e uniformidade, mas também rigidez e padrão. Por ironia, ela está sendo gradativamente substituída pelo mesmo motivo que a originou - a necessidade de rapidez.
"As escolas não se preocupam mais com a letra", afirma o neurologista Arruda. "Os cadernos de caligrafia caíram em desuso." Resta saber se as belas letras trabalhadas em rococós se tornarão um raro tesouro, que sobrevive apenas nos convites de formatura ou casamento.

Fonte: Revista Istoé,  Edição n° 2074 (12.Ago.09), disponível em: http://www.istoe.com.br/reportagens/15540_UMA+REALIDADE+NAS+ESCOLAS+EU+NAO+SEI+ESCREVER+EM+LETRA+CURSIVA>

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Reflexões sobre didática - Veja!

Dislexia - Veja!

A afetividade na relação pedagógica

Texto de José Manuel Moran 
Especialista em mudanças na educação presencial e a distância
 
É muito difícil equilibrar controle e liberdade, autoritarismo e afetividade. Em grupos grandes a tendência é a olhar mais a norma do que as pessoas, a regra do que as circunstâncias. Os limites são importantes, mas a relação pedagógica afetiva é fundamental. Aprendemos mais e melhor quando o fazemos num clima de confiança, de incentivo; quando estabelecemos relações cordiais com os alunos, quando nos mostramos pessoas abertas, afetivas, carinhosas, tolerantes e flexíveis, dentro das regras organizacionais.
Pela educação podemos ajudar a desenvolver o potencial que cada pessoa tem, estimulando suas possibilidades e diminuindo suas limitações. Um caminho importante é mostrar atitudes de compreensão e estar atentos para superar a intolerância, a rigidez, o pensamento único, a desvalorização dos menos inteligentes, dos fracos, dos problemáticos ou “perdedores”.
Praticar a pedagogia da inclusão de todos e de todas as formas. A inclusão não se faz somente com os deficientes, ou com os marginalizados. Dentro da escola muitos alunos se sentem excluídos pelos professores e colegas. São excluídos pelos professores, quando nunca falam deles, quando não lhes dão valor, quando são ignorados sistematicamente. São excluídos quando falam com e dos mesmos e descuidam os demais. São excluídos quando exigem de pessoas com dificuldades intelectuais, emocionais e de relacionamento, os mesmos resultados.
Há uma série de obstáculos para superar: a formação intelectual que valoriza mais o conteúdo, o intelecto, a razão. Professores e gestores frequentemente possuem uma formação emocional, afetiva deficiente. Por isso, tendem a enxergar mais os erros que os acertos. Salários baixos e falta de reconhecimento também dificultam o equilíbrio emocional, a auto-valorização, a boa auto-estima.
Por isso, ao mesmo tempo que se implantam políticas efetivas de valorização profissional, é importante organizar atividades, cursos e programas com gestores e professores para que todos desenvolvam a autoconfiança, a auto-estima. Gestores acolhedores facilitam muito o clima emocional da escola. Profissionais valorizados se sentem melhor e contribuem mais.
Para que os alunos tenham certeza do que comunicamos, é extremamente importante que haja sintonia entre a comunicação verbal, a falada e a não verbal, a comunicação gestual, a que passa pela inflexão sonora, pelo olhar, pelos gestos corporais de aproximação ou afastamento. As pessoas que tiveram uma educação emocional mais rígida, menos afetiva, costumam ter dificuldades também em expressar suas reais intenções, em comunicar-se com clareza. Falam de forma ambígua, utilizam recursos retóricos como a ironia, o duplo sentido, o que deixa confusos os ouvintes, sem conseguir decifrar o alcance total das intenções do comunicador.
Os educadores que gerenciam bem suas emoções transmitem equilíbrio, tranqüilidade e objetividade. Falam com tom calmo, e quando discordam, o fazem sem agredir nem humilhar. Os alunos captam claramente as mensagens e mesmo quando não concordam, manterão o vínculo afetivo, o relacionamento e continuarão abertos para novas mensagens.
As pessoas equilibradas, abertas, nos encantam. Antes de prestar atenção ao significado das palavras, prestamos atenção aos sinais profundos que nos enviam, de que são pessoas compreensivas, confiantes e abertas a novas experiências e idéias.

Este texto faz parte do livro A educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. 4ª ed. Papirus, 2009, p. 55-59, de José Manuel Moran (com pequenas modificações).Vale a pena ler!

INDISCIPLINA


Caros amigos professores:
Cliquem no link a seguir e leiam uma matéria da Revista Nova Escola:

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/indisciplina-sala-aula-509283.shtml